domingo, 25 de outubro de 2009

Viver a vida: Agora eu entendo


Juro que, após uma primeira semana inesperada de desfechos felizes e inesperados, em que todo mundo ficou se perguntando "Será???", eis que começo a entender a proposta de Viver a Vida.


Começa aqui uma digressão desnecessária sobre propostas e fichas que não caem. Se não gosta de gente que fala, fala, e não chega em canto nenhum, pule o parágrafo em destaque.

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(Pelo menos não é como o espetáculo de dança contemporânea hype a que assisti ainda na faculdade, há uns quatorze anos, quando a vibe era ampliar meus horizontes porque, afinal, tudo podia um dia acontecer, e eu tinha medo de ficar desempregada me formar e só encontrar emprego como crítica mediana em crise, no caderno B, sem dotes artísticos próprios. Enfim, eu queria ver qual era a da produção de cultura estimulada pelo desejo de escapar aos códigos simbólicos dominantes, pelo furor anal da nossa linda juventude, pelo chá de fita cassete, pelo raio que o parta. E o fato é que me considero até esperta, e mesmo que não seja tão inteligente, pelo menos algum repertório/erudição eu tenho, e até hoje estou esperando cair a ficha da proposta do tal espetáculo).

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Enfim, a relevância do assunto para uma jornalista de 26 anos que, acreditem, tem o que fazer, é justamente essa: o Brasil assiste à sua primeira novela que começa pelo final. Senão vejamos: na primeira semana, a protagonista fecha com chave de ouro sua bem-sucedida carreira, no auge de sua recém-conquistada independência financeira vitalícia, encontra o Zé Mayer de sua vida, entra de branco e swarovsk na igreja, faz as pazes com sua arqui-inimiga (olha que uó, agora tem hífen, e micro-ondas também) e vai a Paris tomar um vinhozinho despretensioso de fim de noite com Carlos Casagrande.

Eu já tava esperando ver esse sábado a reapresentação especial do capítulo da sexta, com uma grande festa, reunindo todo o elenco, do jardineiro ao presidente da multinacional, com um close de beijo em cada casal e os caracteres: Fim.

Mas não. Eis que Maneco, aquele danadinho, começa a tacar o pau em tudo! Observem a coisa toda degringolando para uma miséria sem precedentes na história da teledramaturgia: a protagonista se vê obrigada a fazer uma longa viagem, a despeito de ser esposa de José Mayer. Cai a Giovanna Antonelli na água, faz tchi-bum, e Helena passa a sofrer as agruras das traições de seu impávido, heróico, risonho e límpido marido. Na sequência, denotando que o felizes para sempre se distancia, Helena acorda na Jordânia, em uma cena de cabelos maltratados. Ela não sabe, mas no lobby do hotel lhe aguarda o que lhe resta em termos de par romântico sobressalente, que não apenas é o sem apelo do Thiago Lacerda, como aparentemente, por algum motivo sobre o qual ainda quero especular, é um Thiago Lacerda que engordou para o papel. Daí pode liberar a fumacinha branca. Agora, sim, habemos novela e Helena começa a comer o pão que o Maneco amassou.

E disso tudo, posso dizer apenas que sou fã, assumida, das novelas do Manuel Carlos, daquelas que assistem sempre que possível e, claro, cruzam os dedinhos para ver o circo pegar fogo e o palhaço se fuder. Ah, leitor, diz que você também é assim, vai! Acho válido a Helena levar chifres como uma modelo no backstage troca de roupa. Pode botar desgraça, nóis gosta! Agora só paro de assistir se resolverem estragar de novo aquele cabelo de sonho dela ou se alguém achar engraçadinho tirar um dos papéis do Mateus Solano, porque a desgraça alheia, por si, não basta, e como disse Platão também é preciso algo de belo e bom para Viver a Vida. Acho que essa é a minha mensagem.
Quero o telefone do cabelereiro dela.


Minha proposta

Também gostei da proposta das pessoas contarem suas superações no final de cada capítulo. E se alguém do Projac estiver vendo, tenho uma sugestão: procurem aquela senhora que deu depoimento na novela passada do Maneco, contando que teve seu primeiro orgasmo ao som de Roberto Carlos.

Eu cultivo uma curiosidade doente pela história de superação dessa senhora. Imagino ela uma semana depois do depoimento do orgasmo ter ido ao ar. As gracinhas nas ruas, as impertinências do público global.

- Olhaaa, é aquela mulher! Que só faz sexo ouvindo Roberto Carlos! Me dá um autógrafo?

Deve ter sido difícil.

Sobe áudio. Abre pro Leblon.